história

A Mulher na Medicina Brasileira

Dra Marilene Rezende Melo
Acadêmica Cadeira nº 2
Presidente da ABMM – Associação Brasileira de Mulheres Médicas 2010 – 2016
Vice Presidente da ABMM 2016 – 2018

Dra Francy Reis da Silva Patrício
Professora Associada de Patologia do Departamento de Patologia da Unifesp-EPM.
Criadora e Chefe do Setor de Patologia Pediátrica do Departamento de Patologia da Unifesp-EPM
Presidente da ABMM-SP e Presidente da ABMM Nacional 2003 - 2008

A Mulher na Medicina Através dos Tempos

Antiguidade Remota
Mulheres curadoras populares – parteiras
Saber próprio: cultura de transmissão oral

Século XVII: Admitidas apenas como ouvintes (para serem auxiliares dos médicos). Infiltram-se nos Cursos Médicos com disfarces masculinos.

Myriam James Stuart Barry - Canadense , ingressou na Faculdade de Medicina, com trajes masculinos.
Tese: “The Merocele” (Hérnia Femural).
À serviço médico do governo – brilhante carreira: reformas sanitárias e higiênicas.

Elizabeth Blackwell - Inglaterra: Entrou na Escola Médica Geneve de Nova York. Formou-se em 1849. Grande atividade internacional durante guerras e epidemias. Organizou hospitais e ambulatórios com especial atenção a mulheres, crianças e idosos.
Viveu mais de 90 anos.
“Muito duro é viver fazendo frente ao antagonismo social de toda classe, sem outro apoio que um propósito elevado”
(Elizabeth Blackwell-Considerada a grande predecessora da Associação Internacional de Mulheres Médicas).

Associação Internacional de Mulheres Médicas:(MWIA)

1ª. Grande Guerra: Médicas enfrentaram dificuldades no reconhecimento da profissão.
1919 em New York no Hotel Walldorf Astoria – Fundou-se a MWIA International Association of Women Medical pelas medicas da Inglaterra,USA e India : Reivindicar direitos iguais para mesma função .
1922 Genebra – 1ª Reunião/Congresso: 12 países.
Hoje mais de 140 países se unem à MWIA.

Mulheres Médicas no Brasil

Intensa luta para ingressar nas Faculdades de Medicina.
As Pioneiras Médicas Maria Augusta Estrela e Rita Lobato.

As Pioneiras Médicas Maria Augusta Estrela e Rita Lobato

A Dra Yvonne Capuano – Acadêmica de Medicina de São Paulo – Cadeira n◦ 64 publica pela Editora Línea Médica 2002 livro onde relata a batalha dessas primeiras mulheres na medicina brasileira e suas vitórias.

Maria Augusta Generoso Estrela nasceu no Rio de Janeiro em 1860.

Em 1875, sendo Imperador Dom Pedro II, era proibido o ingresso de mulheres nas Faculdades de Medicina.
Pertencente à família rica pediu ao pai para cursar Medicina em Nova York e apresentou-se a Medical College and Hospital for Women NY em 1875 onde foi sabatinada devido sua pouca idade. Em inglês perfeito foi vencedora e cursou o curso de Medicina.

Houve grande repercussão no Brasil.
Bolsista do Império – D. Pedro II conforme Decreto de 20/10/1877.
Colação de grau: Medalha de ouro / Oradora da Turma
1881 - Jornal “A Mulher” com Josefa Águeda
1882 – Volta ao Brasil. Revalida Diploma na FMRJ
Trabalhou no Rio de Janeiro, casou-se e teve cinco filhos.
Faleceu aos 86 anos lúcida, em 1946.

Maria Augusto Generoso Estrela

Reforma Leôncio de Carvalho – 19 de abril de 1879
Decreto n° 7247, permitindo o ingresso da Mulher nas Faculdades de Medicina:
Artigo 24: “Confere a Liberdade e o Direito de a Mulher frequentar os cursos das Faculdades e obter um titulo acadêmico”

Rita Lobato Velho Lopes
Gaúcha de São Pedro do Rio Grande, primeira médica formada no Brasil. “A primeira médica do Brasil,” Alberto Silva, Editora Pongetti
1884 – Fac. Med. Rio de Janeiro:
1885 – Fac. Med da Bahia
Tese: “Paralelo entre os métodos preconizados na Cesariana ”.
Pediatra, vereadora (Rio Pardo), casou-se e teve uma filha.
Faleceu em 1954 aos 89 anos.

Rita Lobo Velho Lopes
Rita Lobo Velho Lopes

Associação Brasileira de Mulheres Médicas

1941 Dra. Alayr Hechsher: Congresso de Médicas Latino Americanas México
1942 Dra Maria de Lourdes Pedroso: Congresso Norte Americano de Médicas NY
1953 Dra. Vera Leite Ribeiro: Congresso da Aliança Panamericana de Médicas
16/12/1960 A Dra Dolores Vilalobos Wenzel (México) Representante da MWIA vem ao Brasil para a Fundação da Associação Brasileira de Mulheres Médicas na cidade do Rio de Janeiro
1963 Fundação da ABMM - Seção São Paulo.

Finalidades:

  1. Estimular o acesso da mulher à Medicina e ajudá-la na melhor utilização de sua formação médica.
  2. Proporcionar o encontro entre médicas e a discussão de problemas de interesse comum, especialmente os que permitem à médica ser útil à comunidade.
  3. Incentivar a amizade e a compreensão entre as médicas de todo o mundo sem distinção de etnias, credos ou opinião política.
  4. Apoiar toda iniciativa ou medida visando a supressão de qualquer discriminação que ainda exista entre médicos homens e mulheres em relação à remuneração e à carreira profissional.

Emblema:

ABMM
ABMM

“Matris Animo Curant”
Curando com o espírito de Mãe

Presidentes desde a Fundação

Ano Nome Estado
1960 Dra. Hilda Maip Paraná
1961 - 1965 Dra. Carlota Pereira de Queiroz São Paulo
1966 - 1971 Dra. Maria Brasília Leme Lopes Rio de Janeiro
1972 - 1975 Dra. Elisa Checchia de Noronha Paraná
1976 - 1979 Dra. Drina Coelho Ungaretti São Paulo
1980 - 1983 Dra. Hildegard Stoltz Rio de Janeiro
1984 - 1987 Dra. Verônica Rapp de Eston São Paulo
1988 - 1989 Dra. Saly Moreira Paraná
1990 - 1991 Dra. Alice Nogueira de Lima Paraná
1992 - 1995 Dra. Nadir E. Valverde Barbato de Prates São Paulo
1996 - 2002 Dra. Solange Borba Gildemeister Paraná
2003 – 2008 Dra. Francy Reis da Silva Patrício São Paulo
2009 - 2010 Dra. Ieda T. Nascimento Verreschi São Paulo
2010 - 2016 Dra. Marilene Rezende Melo São Paulo
2016 – 2018 Dra. Fátima Regina Abreu Alves São Paulo

Prêmios Conferidos

A ABMM tem conferido inúmeros Prêmios, Menção Honrosa e Medalhas às Médicas pela excelência a Trabalhos Científicos publicados.

Ingresso da Mulher nas Faculdades de Medicina: Lento e progressivo.

Na primeira metade do século 20 o número de mulheres não ultrapassava 5 mulheres por turma de 80 alunos.

FMUSP 1918 – Primeira Turma

Odette Nora Antunes

Odette Nora Antunes

Délia Ferraz Fávero

Délia Ferraz Fávero

Em 1958 – USP houve um salto para 16 mulheres em turma de 80 alunos.
Década de 70 houve um progressivo aumento em todas as faculdades
E assim gradativamente esse número foi aumentando.
Hoje a mulher ocupa 50% das vagas nas Escolas Médicas.

Demografia médica 2015, fonte CFM, CREMESP

Em 2014, os homens eram maioria, 57,5%, dos médicos no país, e as mulheres 42,5%. Mas há uma tendência de feminização da medicina no Brasil.

No cenário atual, entre os médicos com 29 anos ou menos, as mulheres já estão em maioria, com 56,2% contra 43,8% dos homens. Entre 30 e 34 anos , são 49,9% de mulheres e 50,1% de homens. Dai pra frente, o percentual de homens é maior passando de 55,6% no grupo entre 50 a 54 anos e chegando a 77,6% entre os médicos com idade entre 65 e 69 anos. Ou seja, a presença feminina vai aumentando com a diminuição da faixa etária, enquanto com os homens acontece o contrário.

Maior Registro de Mulheres

Quando se observa o número de novos médicos, vê-se que a entrada masculina ainda é maior até 2010. Naquele ano, foram 7.250 registros primários de homens e 7.136 mulheres, 50,4% contra 49,6% respectivamente . O ano de 2011 marca a mudança: 52, 6% de mulheres e 47,4% de homens. A partir daí, a entrada de mulheres sempre é crescente.

Em 2014, a entrada feminina equivalia à 54,8% contra 45,2%masculina . No ano de 2000 os homens eram 59,2% contra 40,8% das mulheres.

Como os cursos de graduação em medicina se estendem por 6 anos, constata-se que as mulheres já eram maioria na entrada da graduação médica desde 2004.

Evolução da Carreira da Mulher Médica no Brasil

Carlota Pereira de Queiroz:
Paulista
Graduação 1926 Fac. Med. RJ
Estudo Experimental do Câncer
Prêmio Miguel Couto
Academia Nacional de Medicina
Revolução de 1932 Assistência
Médica aos combatentes
Primeira Deputada Federal 1933
Segunda Presidente da ABMM

Carlota Pereira de Queiroz

Mulher na Carreira Docente

Foi lenta, especialmente para chegar a Professora Titular em 1925 Dra. Maria Falce de Macedo – Primeira Professora Titular do país Química Orgânica e Biologia Faculdade de Medicina - UFPR.

Maria Falce de Macedo

Maria Falce de Macedo

Maria Falce de Macedo nasceu em Curitiba em 15 de Janeiro de 1897 e faleceu em 24 de abril de 1972. Era filha de Pedro e Philomena Macedo. Casou com Dr. José Pereira de Macedo em 12 de fevereiro de 1921 , aos 24 anos . Tiveram um filho Diogo.

Com seu esposo fundou em 1922º primeiro Laboratório de Análises Clínicas de Curitiba e do Estado, que funcionou por 30 anos. Ao final deste período, vendeu-o aos colegas, Dra Fany Frischmann e Dr Oscar Aisengart que o mantiveram até 2005.UFPR.

Mulher na Faculdade de Medicina da USP

Verônica Rapp de Eston

Verônica Rapp de Eston

Primeira Livre Docente da FMUSP- 1973 Cadeira de Química Fisiológica. Có- fundação do Instituto de Medicina Nuclear com Tede Eston de Eston FMUSP - 1959.

Maria Irma Seixas Duarte

Maria Irma Seixas Duarte

Primeira Professora Titular FMUSP - 1996 Patologista. Autoridade em Patologia das Doenças Infecciosas e Parasitárias.

Angelita Gama

Maria Irma Seixas Duarte

Professora Titular de Cirurgia
Departamento de Gastroenterologia – FMUSP-1998.
Superou obstáculos: o acadêmico e o da Especialidade quebrando o tabu com relação a Cirurgia.

Especialista em Coloproctologia, a Profa. Dra Angelita Habr-Gama recebeu mais de 50 prêmios científicos nacionais e internacionais.

Hoje ela é membro honorário de 8 associações mundiais e de várias sociedades de Coloproctologia do Brasil, Chile, Paraguai e Equador, é também membro honorário da Associação Brasileira de Mulheres Médicas.

A Profa. Dra Angelita exerceu a Presidência da Sociedade Brasileira de Coloprotologia, do Colégio Brasileiro de Cólon e Reto (ISUCRS), além de diversas outras Sociedades Médicas.

Em novembro de 2015, presidiu o FICARE 2015 – Fórum Internacional de Câncer do Reto, do qual foi idealizadora e está, em sua sexta edição, tendo reunido 700 participantes e os 50 especialistas mais conceituados de vários países, entre cirurgiões, radiologistas, radioterapeutas e patologistas. “Foram três dias de intensa troca de experiências e atualização”, enfatiza a Dra Angelita.

“Tudo isso é fruto de contínuo e intenso trabalho”.
E tudo se resume a uma frase de Fernando Pessoa, que ela traz como lema de vida, “Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.”

Outras Professoras Titulares da FMUSP

Berenice Bilharzinho de Mendonça Departamento Clínica Médica Disciplina Endocrinologia e Metabologia.

Eloisa Silva Dutra O Bonfá Reumatologia. Chefe do Departamento Clínica Médica

Magda Maria Sales Carneiro Sampaio Departamento de Pediatria – Disciplina de Imunologia Instituto da Criança

Maria Aparecida Shikanai Yasuda Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias

Sandra Josefina Ferraz E Grisi Departamento de Pediatria – Disciplina de Pediatria Preventiva e Social

Escola Paulista de Medicina-Unifesp

Na EPM o número de Professora Titulares também já é considerável, embora ainda represente porcentagem muito pequena em relação aos titulares homens.

Primeira Doutora em Medicina:
Regina Celes de Rosa Stella (1968)
Departamento de Bioquímica

Primeira Professora Titular Médica:
Teresinha Bandiera Paiva

Ana Luisa Höfling de Lima
Departamento de Oftalmologia UNIFESP/EPM

Emilia Inoue Sato
Disciplina de Reumatologia
Primeira Mulher a exercer Chefia de Departamento de Medicina da UNIFESP/EPM -2005

Lydia Masako Ferreira
Departamento de Cirurgia – Disciplina de Cirurgia Plástica – UNIFESP/EPM
Primeira Professora de Cirurgia de São Paulo

Maria Teresa Zanella
Departamento de Medicina
Disciplina de Endocrinologia UNIFESP/EPM

Rossana Fiorini Puccini
Departamento de Pediatria – Disciplina de Pediatria Social e Puericultura - UNIFESP/EPM

Valéria Petri
Departamento de Dermatologia UNIFESP/EPM

Ruth Guinsburg
Departamento de Pediatria – Disciplina de Neonatologia UNIFESP/EPM

Helena Maria Calil
Departamento de Psiquiatria

Teresinha Bandiera Paiva
Departamento de Biofisica - Aposentada-Pesquisadora CNPq

Professoras Titulares da Santa Casa

Carmem Lúcia Penteado Lancellotti
Ciências Patológicas

Ligia Andrade da Silva Telles Mathias
Cirurgia

Patrícia Maria de Moraes Barros Fucs
Ortopedia

Wilma Carvalho Neves Forte
Ciências Patológicas

Médicas da Academia de Medicina de São Paulo

Acadêmicas Cadeira Antecessor
Angela Maggio da Fonseca 57 Domingos Delascio
Ceci Mendes Carvalho Lopes 124 Armando Bozzini
Cleide Enoir Petean Trindade 107 Evaristo da Veiga (Patrono)
Conceição Aparecida de Mattos Segre 28 Nemésio Bailão (Patrono)
Helga Maria Mazzarolo Cruz 34 Sylvio Soares de Almeida (Patrono)
Heloisa Oria 125 José Oria (Patrono)
Linamara Rizzo Battistella 51 Domingos Rubião Alves Meira (Patrono)
Lygia Busch Iversson 120 Reynaldo Kuntz Busch (Patrono)
Maria de Lourdes M.C. Pinheiro Franco 98 Walter Edgard Maffei (Patrono)
Marilene Rezende Melo 2 Octávio de Carvalho (Patrono)
Mary Souza de Carvalho 54 Enjolras Vampré (Patrono)
Rozeane Luppino 62 Vital Brazil (patrono)
Yvonne Capuano 64 Maria Augusta Generoso Estrela
Yara Suely Romeu 24 Clemente Miguel da Cunha Ferreiraas

Mulheres Presidentes da Academia de Medicina de São Paulo

  • Yvonne Capuano de 2009 à 2010 – cadeira 64
  • Marisa Campos Moraes Amato de 1997 à 1998 – membro honorário
  • Carmen Escobar Pires de 1951 à 1952 - Patrono cadeira nº. 112 cujo o titular da cadeira é Wagner José Gonçalves (1997).
Yvonne Capuano

Yvonne Capuano nasceu na cidade de São Paulo. Graduou-se pela Escola Paulista de Medicina (EPM), hoje, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 1964, e especializou-se em clínica médica.

Ainda enquanto acadêmica fez estágio no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros da Legião Brasileira de Assistência (1964-1966).

Realizou nove cursos de aprimoramento profissional na EPM e no Hospital Sírio-Libanês. Em 1982, após dezoito anos atuando como clínica geral, assumiu o comando de uma das maiores empresas metalúrgicas de São Paulo, onde permaneceu por doze anos e, desde então dedica-se à área administrativa hospitalar.

Yvonne Capuano foi presidente (1987-1993) e diretora (1993-1996) da Indústria e Comércio de Plástico Tecnoflon Ltda., e presidente (1982-1993) da Indústria e Comércio de Alumínio Clock S.A.

É fundadora, presidente e mantenedora do Projeto Educacional Y. Capuano, entidade sem fins lucrativos que se destina à alfabetização de trabalhadores da indústria.

Na área da administração hospitalar atuou no Serviço de Assistência Médica S.A. (Same – diretora-presidente 1964-1982); Conselho Administrativo do Hospital Santa Paula (diretora, 1978-1982; e presidente, 1994-2005); Conselho Municipal de Saúde (1994-2003); Conselho Intersetorial de Ciência e Tecnologia (1996-1997) e Conselho Nacional de Saúde (1993-1997).

Participa de diversas entidades médicas, empresariais e políticas.

Presidente da Academia de Medicina de São Paulo 2009 à 2010.

Inúmeros troféus e placas recebidos destacam-se: troféu Tanit – melhor imagem de marca, (Buenos Aires – Argentina, 1983; e Lima – Peru, 1984); troféu Gente que Faz da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (1985); troféu Mulher Alarde – categoria empresarial (1986); placa Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi do jornal O Eco do Vale (RS, 1999); troféu Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE – SP, 1999); troféu da Associação das Soroptimistas (1999); troféu Mulher Destaque 2000 pela Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (RJ); troféu Liderança Regional pelo Jornal A Rua (Santana do Parnaíba – SP, 2000); e Troféu Camunità Italo-Brasiliana del Paraná e Santa Catarina (PR, 2002).

Médicas da Academia Paulista de Medicina já falecidas

Titular:
Maria Odette Ribeiro Leite em 17/03/2015

Honorária:
Maria Cristina Faria da Silva Cury em 20/05/2007

Mulher Médica nas Entidades Medicas

Marilene Rezende Melo

Marilene Melo

1975/ 1981 Presidente do Departamento de Patologia Clínica da Associação Paulista de Medicina

1985/1987 Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica. Única mulher desde sua fundação 1944 até 2013, segunda mulher Dra Paula Távora 2014 – 2015.

1986/1989 Presidente da Associação Latino Americana de Patologia Clínica ALAPAC. Única mulher desde a fundação em 1974 até 2014.

Segunda mulher brasileira Dra Luisane Falci 2015 – 2017.

1991/1993 Associação Médica Brasileira - Primeira Tesoureira

1993/1995 Associação Médica Brasileira - Segunda Tesoureira

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1995/2018 Conselheira Fiscal da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica

1999/2001 Director at Large da Word Association of Society of Pathology and Laboratory Medicine

2001/2003 Director-at-Large from South America da World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine - WASPaLM

2001/2005 Associação Paulista de Medicina – Primeira e Segunda Diretora de Patrimônio e Finanças

2003 Presidente Eleita da World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine – WASPaLM

2004/2005 – Presidente da World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine - WASPaLM 1ª Gestão

Primeira Mulher desde a fundação em 1947.

2005/2007 Presidente da World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine - WASPaLM 2ª Gestão

2007 – WASPaLM 24◦ Congresso Mundial na Malásia recebeu o mais importante Prêmio da Medicina Mundial de Laboratório: a Bengala de Cabeça de Ouro que é uma réplica das usadas há 400 anos por médicos da Grã-Bretanha, sendo a de número 18 e única mulher até então.

O primeiro a receber este Prêmio foi Sir Alexander Fleming da Inglaterra.

2008 Eleita Acadêmica da Academia Paulista de Medicina

Cadeira número 2

2010/2016 Presidente da Associação Brasileira de Mulheres Médicas

2013 Volta à Diretoria da WASPalM como Director at Large.

2014 Fellow da Academia de Medicina da Malásia

2015/2021 WASPaLM Director from Latin America

2016/2018 Vice Presidente da Associação Brasileira de Mulhes Médicas - ABMM Silva Cury em 20/05/2007

Mulheres são Maioria entre os Doutores formados nos Exterior

Levantamento mostra, no entanto, que elas ainda ganham menos e têm menor inserção no mercado de trabalho.

Segundo o estudo, ao qual o Estado teve acesso com exclusividade, 14.173 brasileiros obtiveram título de doutor fora do País entre 1970 e 2014. Desse total, 8.357 (59%) são homens e 5.786 (41%), mulheres. A partir de 2012, porém, a tendência inverte, e as mulheres passam a ser maioria chegando a 60% do total em 2014.

“A reversão pode estar associada a um conjunto de fatores sociais e econômicos bem conhecidos no País, como a crescente independência da mulher na sociedade, a transformação do papel feminino e a participação ativa no mercado de trabalho” diz o relatório, cuja íntegra deverá ser apresentada em Brasília.

A base para o estudo foi a plataforma de currículos Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os países que mais formaram doutores brasileiros foram: Estados Unidos (3.170), seguidos por França (2.305) Grã-Bretanha (2.067), Espanha ( 1.520) e Alemanha (947).

Histórico da Associação Brasileira de Médicas 1960-1997

Dra. Verônica Rapp de Eston
Dra. Drina Coelho Ungaretti
Dra. Magdalena Hildegard Stoltz

Finalidades

A Associação Brasileira de Médicas (ABM), também conhecida por Associação Brasileira de Mulheres Médicas (ABMM), foi fundada por estímulo da Associação Internacional de Médicas (Medical Women's International Association (MWIA), no dia 16 de novembro de 1960, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como iniciadoras as Dras. Hilda Maip, Hildegard Stoltz e Maria Brasília Leme Lopes, do Rio de Janeiro, Elisa Checchia de Noronha, do Paraná, e Elsa Reggiani de Aguiar, Dorina Barbieri e Vicentine Spina Forjaz, de São Paulo.

A ABM tem os mesmos objetivos e finalidades da MWIA, à qual é filiada respeitando-se as variações decorrentes de usos, costumes ou leis locais, e são os seguintes:

  1. estimular e encorajar o acesso da mulher às ciências médicas e ajudá-la na melhor utilização de sua formação médica;
  2. proporcionar ocasião para o encontro entre médicas e a discussão de problemas de interesse comum, principalmente aqueles que permitem à médica ser útil à comunidade;
  3. incentivar a amizade e a compreensão entre as médicas do mundo todo, sem distinção de raça, religião ou opinião política;
  4. apoiar toda a iniciativa ou medida visando a supressão de qualquer discriminação que ainda exista entre médicos, homens e mulheres, em relação à remuneração e à carreira profissional.

Resumindo, a ABM tem o firme propósito de levar avante nobres idéias: o de promover o encontro e a amizade entre as médicas, o intercâmbio científico, o estudo de problemas de saúde da comunidade em geral, o auxílio mútuo para a resolução de problemas inerentes à condição de médica, mão de família e dona de casa.

Organização

A Sede Nacional da ABM é na cidade do Rio de Janeiro, tendo sido fundadas numerosas Seções Estaduais, com a finalidade de dar maior divulgação aos objetivos da Associação. Foram progressivamente fundadas Seções Regionais nos Estados de São Paulo, Paraná, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Alagoas, Piauí, Maranhão, Acre, Mato Grosso do Sul, Brasília, Santa Catarina e Minas Gerais.

Em cada Estado poderão ser criadas Sub-Regionais, existindo atualmente as seguintes: Santos e São José dos Campos, em São Paulo, e Ponta Grossa, Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná.

A ABM é regida por um Estatuto e por um Regimento Interno, seguindo as normas gerais da MWIA, com as adaptações necessárias às condições nacionais. Ambos são revistos periodicamente a fim de acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos da ABM.

Duas Assembléias Gerais Ordinárias são realizadas anualmente no primeiro e terceiro quadrimestres, podendo ser realizada uma Assembléia Extraordinária no meio do ano, a critério da Diretoria da Nacional. A diretoria procura alternar as localidades destas Assembléias, a fim de servir de estímulo para as respectivas estaduais.

As eleições para as diretorias, tanto da Nacional como das estaduais, são realizadas a cada dois anos, podendo a Presidente e os demais membros ser reconduzidos por mais dois anos. Também nestas eleições procura-se obter uma representação ampla das diversas regionais.

Na primeira Assembléia Geral do ano, são apresentados pelas Diretorias Estaduais os relatórios das atividades referentes ao ano anterior, em cada um de seus Departamentos, isto é, o da Presidência, Secretaria, Tesouraria, Científico, Sócio-Cultural e Técnico-Profissional.

Na segunda Assembléia Geral, é definida a contribuição das sócias para o ano subsequente, são discutidos fatos inerentes a cada Seção Estadual e, se houver uma jornada no ano seguinte, é escolhido o Tema Oficial da mesma e o local de sua realização.

As atividades das Seções Regionais têm as características de maior frequência, como veremos a seguir:

  1. Reuniões mensais da Diretoria, exceto em julho, dezembro e janeiro, a não ser que se faça necessária uma reunião extraordinária. Nestas reuniões mensais são comunicadas as atividades da Presidente e de cada Departamento, no mês anterior, e progamadas as do mês seguinte. Nos anos em que houver Jornada, a Regional incumbida da mesma intensifica muito o seu trabalho.
  2. Reuniões, sempre que possível, também mensais, de caráter sócio-científico-cultural, procurando-se alternar esses aspectos, ou combiná-los entre si. As reuniões de teor científico constam de Conferências, Cursos, Simpósios, com personalidade abalizadas, culminando com as Jornadas, e cuja organização fica a cargo da Regional hospedeira.
  3. Reuniões comemorativas ou em homenagem a personalidades, almoços ou jantares de confraternização.
  4. Participação em campanhas locais ou nacionais de Saúde Pública, como aconteceu por ocasião da importação de leite contaminado com césio radioativo quando da explosão do reator nuclear de Chernobyl.

Presidentes da Nacional

A ABM teve como primeira Presidente Nacional a Dra. Hilda Maip e, a seguir, a eminente ficgura da Dra. Carlota Pereira de Queiroz, pioneira do estudo exoerimental do câncer no Brasil, pelo que recebeu o prêmio Miguel Couto de pesquisa. Foi igualmente a primeira médica a ser recebida na Academia Nacional de Medicina e a primeira Deputada eleita no Brasil. Foi aclamada Presidente honorária da nossa Associação e vivieu até os 92 anos de idade.

As presidentes foram as seguintes:

Ano Nome Estado
1960 Dra. Hilda Maip Rio de Janeiro
1961/63 e 1964/65 Dra. Carlota Pereira de Queiroz São Paulo
1966/67 e 1968/69 Dra. Maria Brasília Leme Lopes Rio de Janeiro
1970/71 Dra. Maria Brasília Leme Lopes Rio de Janeiro
1972/73 e 1974/75 Dra. Elisa Checchia de Noronha Paraná
1976/77 e 1978/79 Dra. Drina Coelho Ungaretti São Paulo
1980/81 e 1982/83 Dra. Hildegard Stoltz Rio de Janeiro
1984/85 e 1986/87 Dra. Verônica Rapp de Eston São Paulo
1988/89 Dra. Saly Moreira Paraná
1990/91 Dra. Alice Nogueira de Lima Paraná
1992/93 e 1994/95 Dra. Nadir E. Valverde Barbato de Prates São Paulo
1996/97 e 1998/99 Dra. Solange Borba Gildemeister Paraná

Congressos Internacionais

A Medical Women's International Association realiza Congressos Internacionais, de início a cada dois anos e atualmente a cada três anos, sediados em países distintos dos cinco continentes. Os Congressos atuais chegam a contar com milhares de participantes.

Os Temas Oficiais destes Congressos abrangem assuntos de largo alcance, quer sob o aspecto médico ou sobre os grandes problemas da humanidade, mantendo o escopo a que a MWIA se propôs, desde o início.

Nesses Congressos há um Tema Oficial e Workshops, isto é, Grupos de Trabalhos, onde são discutidos temas de igual importência, sempre visando problemas de saúde e bem-estar das populações ou relacionados com a medicina em geral. Ao final de cada Congresso são compilados os resultados sob a forma de "Conclusões", das quais resultam as "Recomendações", que serão encaminhadas aos governos de todos os países de origem dos participantes do Congresso.

Os Congressos da MWIA tiveram início em 1924 e continuam até hoje, às vezes com intervalos irregulares, devido às várias guerras ocorridas desde a sua fundação.

Desde de 1966 as médicas brasileiras têm comparecido aos Congressos Internacionais, sendo que a maior delegação foi a do Congresso de Berlim de 1978, ao qual estiveram presentes 25 médicas brasileiras.

Até o presente momento foram realizados os seguintes Congressos da Associação Internacional de Médicas, com data, local e Tema Oficial:

  1. 1924 - Londres, Inglaterra - Morbidez Maternal.
  2. 1929 - Paris, Franças - Educação Sexual da Criança e do Adolescente - Analgesia Obstétrica.
  3. 1934 - Estocolmo, Suécia - Controle da Natalidade - Educação Sanitária.
  4. 1937 - Edimburgo, Escócia - Prevenção do Cancêr na Mulher - Aborto e Mortalidade Materna.
  5. 1947 - Amsterdã, Holanda - Responsabilidade da Médica na Reconstrução do Após-Guerra.
  6. 1950 - Filadélfia, EUA - Patologia e Higiene do Trabalho Caseiro.
  7. 1954 - Gardone, Itália - Menopausa.
  8. 1958 - Londres, Inglaterra - O Adolescente.
  9. 1963 - Manila, Filipinas - Educação dos Pais - Medicina Geral.
  10. 1966 - Rochester, EUA - Aboa Utilização do Poder da Médica.
  11. 1968 - Viena, Áustria - O Problema da Fome no Mundo.
  12. 1970 - Melbourne, Austrália - A Saúde da Mulher na Indústria.
  13. 1972 - Paris, França - Toxoplasmose.
  14. 1974 - Rio de Janeiro, Brasil - Fatores Genéticos e Ambientais que Afetam a Saúde Humana - Planejamento Familiar.
  15. 1976 - Tóquio, Japão - Infecções a Vírus e suas Sequelas.
  16. 1978 - Berlim, Alemanha - Meios de Comunicação de Massa e Medicina.
  17. 1980 - Birminghan, Inglaterra - Prioridades Médicas nos Países em Desenvolvimento e nos já Desenvolvidos.
  18. 1982 - Manila, Filipinas - Humanização da Medicina - Relação Médico-Paciente.
  19. 1984 - Vancoucer, Canadá - O Homem e a Mulher: Diferenças Biológicas e Comportamentais.
  20. 1987 - Sorrento, Itália - Adolescência: Aspectos Médicos e Psicofísicos.
  21. 1989 - Seul, Coréia - Incidência do Câncer na Mulher nos Diferentes Países.
  22. 1992 - Cidade da Guatemala, Guatemala - Saúde para Todas as Crianças.
  23. 1995 - Haia, Holanda - Saúde da Mulher num Mundo de Mudanças.

Devemos fazer referência especial ao XIV Congresso Internacional, pois o país escolhido para sediar o mesmo foi o Brasil, no Rio de Janeiro, com ótima organização, a qual devemos às colegas dessa cidade, principalmente aos esforços da Dra. Hildegard Stoltz, grande figura humana desde o início da Associação, e à atuação da Dra. Maria Brasília Leme Lopes, médica de destaque e prestígio no Rio de Janeiro, então Capital Federal.

Como um dos requintes desse Congresso lembramos a tradução simultânea em seis línguas, fato inédito até então em Congressos Médicos, isto é, inglês, francês, alemão, japonês, espanhol e português. Ainda pela qualidade dos trabalhos apresentados e pelo interesse dos assuntos abordados, como, por exemplo, o tema sobre "Planejamento Familiar", até então pouco ventilado e bastante polêmico na época, aqui no Brasil.

Por causa desse tema, compareceram a este Congresso várias personalidades de valor internacional na matéria, tais como o Dr. Nafis Sadik, da United Nations Family Planing Activities, que discorreu sobre "Planejamento Familiar e os Direitos da Mulher"; o Dr. Aquiles Sobrero, Diretor do Margareth Sanger Research Center of Family Plaining of New York, que também abordou o Planejamento Familiar; o Dr. Datta Pai, Diretor de Saúde Pública e Planejamento Familiar de Bombaim, Índia, que falou sobre "Programas de Planejamento Familiar", apresentando interesse material impresso, de informação adequada ao público. Vieram para este Congresso cerca de quinhentas médicas do exterior, representando trinta e oito países, sendo a delegação japonesa a maior, com exatamente cem médicas. Estas compareceram ao jantar de encerramento, como costumam em todos os Congressos da MWIA, em trajes típicos, isto é, quimono, oferecendo um bonito espetáculo.

Aliança Pan-Americana de Médicas

O Brasil começou a participar regularmente das atividades da Aliança Pan-Americana de Médicas no XXI Congresso realizado na Cidade do México, México, no ano de 1992. Estiveram presentes a Dra. Bertha Luz e a Dra. Nadir Eunice Valverde Barbato de Prates. Na ocasião, o Brasil solicitou sediar um Congresso Pan-Americano. No XXII Congresso da Aliança Pan-Americana de Médicas realizado em Orlando-EUA, no ano de 1994, foi escolhido o Brasil como sede do XXIV Congresso. O Brasil participou com as presenças das Dras. Magda Mary Castelo Anraku, Bertha Ribeiro Luz e Nadir Eunice Valverde Barbato de Prates, de São Paulo, e Dra. Hilda Widman, do Rio de Janeiro. O XXIII Congresso da Aliança Pan-Americana de Médicas foi realizado na cidade de Guayaquil, Equador, tendo o Brasil participado com a presença das Dras. Bertha Luz e Nadir Eunice Valverde Barbato de Prates.

Jornadas ou Congressos Nacionais

As Jornadas são os eventos maiores da ABM. com programa científico-sócio-cultural, com duração geralmente de três dias.

Desenvolvem-se em Estados diferentes do Brasil, onde houver Regional e, quando possível, com intervalo de dois anos entre as mesmas. É o encontro de todas as Seções Estaduais. A organização de uma Jornada é feita pela Regional hospedeira, embora os trabalhos científicos venham de médicas de todo o Brasil.

O Tema Oficial das Jornadas procura, sempre que possível, adotar assuntos semelhantes aos do Congresso Internacional subsequente, isto com a finalidade de incentivar a elaboração de trabalhos de médicas brasileiras que poderão apresentá-los nesse Congresso.

Nas Jornadas, além do Tema Oficial, poderá haver subtemas, relacionados ou não com o oficial, Mesas-Redondas, Conferências e Temas Livres.

Não é esquecida uma parte sócio-cultural, que sempre agrada bastante pela oportunidade de maior convivência e aproximação das participantes.

As Jornadas tiveram início no ano de 1963 e foram as seguintes:

  1. 1963 - Guanabara, RJ - Tratamento do Câncer Ginecológico.
  2. 1964 - São Paulo, SP - A Criança Débil Mental - Aspectos Médico-Pedagógicos.
  3. 1965 - Guanabara, RJ - A Médica no Brasil - Métodos Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento.
  4. 1966 - Curitiba, PR - Medicina Psicossomática.
  5. 1968 - Niterói, RJ - Medicina Preventiva em Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria.
  6. 1970 - São Paulo, SP - Retardo Mental, sua Prevenção.
  7. 1973 - Curitiba, PR - Fatores Genéticos e Ambientais que Afetam a Saúde Humana.
  8. 1975 - Salvador, BA - Medicina Preventiva.
  9. 1977 - São Paulo, SP - Meios de Comunicação de Massa e Medicina.
  10. 1979 - Rio de Janeiro, RJ - A Medicina e a Criança - Homenagem ao Ano Internacional da Criança.
  11. 1981 - Fortaleza, CE - Relacionamento Médico-Paciente - Humanização da Medicina.
  12. 1984 - Curitiba, PR - O Homem e a Mulher - Diferenças Biológicas e Comportamentais.
  13. 1986 - Águas de Lindóia, SP - Adolescência: Seus Problemas Médicos e Psicossociais (Comemoração do Jubileu de Prata da ABM).
  14. 1988 - Curitiba, PR - Problemas de Saúde da População e do Menor.
  15. 1990 - Campo Grande, MS - Educação para a Saúde.
  16. 1991 - São Paulo, SP - Saúde para Todas as Crianças (Comemoração do 30° aniversário da Regional de São Paulo e da ABM - Nacional).
  17. 1993 - Fortaleza, CE - Saúde e Mulher Hoje. Entrega da primeira Medalha Dra. Carlota Pereira de Queiroz à Dra. Hildegard Stoltz. Nesta jornada foi decidido mudar a denominação para Congresso.
  18. 1995 - Campo Grande, MS - Problemas Médicos Sociais em Pediatria. Entrega da Medalha Dra. Carlota Pereira de Queiroz à Dra. Eliza Checchia de Noronha.

Outras Atividades

Encontros de Médicas

Os Encontros foram sugeridos pela Dra. Drina Coelho Ungaretti, quando Presidente da Associação, que novata o grande intervalo entre duas Jornadas, a fim de preencher esse hiato, e de intensificar o convívio das médicas.

Assim, nos anos em que não há Jornada, é organizado um Encontro, que tem um caráter mais de congraçamento, embora sempre comporte uma parte científica, e para o qual são convidadas médicas, sócias ou não, de todas as Regionais. Já houve vários Encontros e, geralmente, são escolhidas cidades aprazíveis, estações de águas ou climáticas, como já houve em Campos do Jordão, Águas de São Pedro, Águas de Lindóia, Serra Negra, Campo Grande, Caxambu, Florianópolis, Brasília, Águas de São Lourenço e Uberlândia.

Os Encontros possuem em conteúdo sócio-cultural mais evidente do que as Jornadas e, embora sempre com uma parte científica, propiciam um maior convívio das colegas, culminando com troca de experiência, intercâmbio de conhecimentos e concretização de amizade entre as médicas.

Boletim da ABM

Com início logo após a fundação da ABM, por iniciativa da Dra. Carlota Pereira de Queiroz, e tendo como redatora a Dra. Jeni Maria Martino Coronel Lustosa, o Boletim da ABM teve papel importante para a divulgação da nova Associação, e foram publicados quantro números entre 1961 e 1965. Somente em 1974 a Dra. Drina Coelho Ungaretti conseguiu patrocínio do Laboraório Fontoura-Wyeth e reiniciou a publicação dos boletins, que foram expedidos regurlamente até o ano de 1984. Interrompida novamente a publicação, o Boletim voltou a ser publicado a partir de 1988 pelo esforço da então presidente da ABM, Dra. Sally Bugmann Moreira.

O valor do oletim é o de fazer chegar às sócias as notícias dos fatos mais recentes da ABM e de suas Regionais e, ainda, dar conhecimento sobre os próximos Congressos Internacionais, o que motiva sobremaneira as médicas do Brasil a comparecerem aos mesmos.

O Emblema da ABM

Em concurso realizado em 1987, foram apresentadas várias sugestões para a insígnia da ABM, sendo vencedora a proposta da Dra. Drina Coelho Ungaretti, que sugeriu temática semelhante á da Associação Internacional de Médicas, por ser muito significativa (imagem da Deusa da Medicina) e por sermos filiadas à Asociação Internacional. O emblema é representado por um círculo, contendo o contorno do mapa do Brasil, ou dos Estados, para as Regionais, e no centro a figura de Hygéa, a deusa grega da Medicina. À frente da figura da deusa, o seu nome: Hygéa.

Na periferia do círculo, uma faixa, contendo na sua parte superior o nome: associação Brasileira de Médicas; e, na parte inferior, para a Nacional, a data da sua fundação, 1960, e para as Regionais, o nome do Estado-Sede. Na parte inferior do círculo, entre a faixa e o mapa do Brasil, figurarão os dizeres: "Matris animo curant", que significa "Curando com amor (ou desvelo) de mãe".

Sedes Físicas das Estaduais

Uma das ambições de todas as Seçoes Estaduais é conseguir a sua sede física num local acessível a todas as sócias, a fim de ter um local fixo não somente para as reuniões da Diretoria, como também para pequenos eventos. Até agora, somente a Seção do Paraná conseguiu concretizar este ideal. Com muita dedicação e esforço foi possível comprar inicialmente uma casa velha, porém muito bem situada, perto da Universidade, em Curitiba. Posteriormente, por contrato com uma construtora, foi construído no terreno um edifício só de consultórios para médicos, pertencendo à Seção do Paraná um andar inteiro devidamente instalado de acordo com as especificações da Regional.

Prêmios Conferidos pela ABM

A ABM, no decorrer destes anos de atividades, instituiu vários prêmios.

1. Prêmio Honra ao Mérito Excepcional

Foi instituído para homenagear a médica que mais se tivesse distinguido no ambiente brasileiro.

A primeira vez este prêmio foi outorgado à Profª Maria Falce Macedo, do Paraná, que exerceu o magistério como catedrática de Química Orgânica e Biológica nas Faculdades de Medicina e de Bioquímica e Farmácia da Universidade do Paraná, tendo recebido da mesma o título de "Professor Emérito", e em 1956 o título de "Mãe Paranaense".

Em 1973, durante a VII Jornada da ABM em Curitiba, o prêmio foi outorgado à Profª Dra. Verônica Rapp de Eston, primeira mulher Livre-Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pioneira na América Latina, juntamente com seu marido, o Dr. Tede Eston de Eston, do emprego de radioisótopos na pesquisa médica e biológica e co-fundadora do Centro de Medicina Nuclear da Faculdade de Medicina da USP, na época considerado modelo pela Agência Internacional de Energia Atômica, com sede em Viena.

2. Medalha "Dra. Carlota Pereira de Queiroz"

Foi instituída em 1993, para homenagear as sócias da ABM que mais se destacaram, desde a fundação, no seu trabalho pela associação. Receberam, até o presente momento, a medalha as seguintes sócias:

1993 - Dra. Hildegard Stoltz, Rio de Janeiro, uma das fundadoras, Presidente da Nacional para os Biênios 1980-1981 e 1982-1983, e durante muitos anos é Tesoureira da ABM, tendo permanentemente lutado pela divulgação da ABM em nível nacional e participado da maioria dos Congressos Internacionais.

1995 - Dra. Elisa Checchia de Noronha, do Paraná, igualmente uma das fundadoras, sempre atuante para divulgar a ABM no Brasil e estimular as médicas a participarem da Associação. Presidente da Nacional nos biênios 1972-73 e 1974-75.

1997 - Dra. Drina Coelho Ungaretti, de São Paulo, igualmente fundadora e presidente da Nacional, em 1976-77 e 1978-79, e incansável lutadora pelos ideais da ABM, tendo sido durante anos radatora do Boletim da ABM e tendo preparado os históricos da mesma até o ano de 1990.

3. Prêmio ABM

Foi instituído em 1981, com a finalidade de incentivar as médicas à elaboração e divulgação de trabalhos científicos. O prêmio é bienal e as normas do mesmo estabeleciam escolha prévia da especialidade médica sobre a qual deverá versar o trabalho. Em 1981, a especialidade escolhida foi a Pediatria, tendo vencido o trabalho "Distúrbios Ácidos-Básicos do Recém-nascido e do Prematuro", de autoria da Dra. Bertha Ribeiro da Luz.

Em 1983, o tema foi Ginecologia, mas não houve inscrição de trabalhos.

Em 1985, com a escolha do tema Obstetrícia e Perinatologia, o prêmio foi atribuído: em Obstetrícis, a dois trabalhos que mereceram nota 10: "Considerações sobre o Ciclo Grávido-Puerperal na Adolescência", de autoria da Profª Lenir Mathias, tendo como colaboradora a Dra. Luciana Nóbile; em perinatologia, o trabalho vencedor foi o da Dra. Viviane Herrmann e colaboradores, de Campinas, com o título "Relação entre as Características do Líquido Amniótico dos Batimentos Cardíacos Fetais e Índice de Apgar ao Nascer". Foi ainda atribuída Menção Honrosa à Dra. Maria da Piedade Calmon Vergne, do Rio de Janeiro, pelo trabalho "Aloimunização pelo Antígeno h r'(c)".

Em 1987 foi conferido o prêmio à Dra. Anete Seviovic Grumach e à Dra. Magda Maria Carneiro Sampaio, de São Paulo, pelo trabalho "Imunodeficiência na Criança". Ainda nesse ano mereceu Menção Honrosa o trabalho "Tratamento Cirúrgico do Câncer Colo-Retal. Valor das Provas Cutâneas de Competência Imunológica na Avaliação Prognóstica e Imunoterápica", de autoria da Dra. Vera Lúcia Ferraro Ferraz Sales e colaboradores.

Em 1989 houve reforma das normas do Prêmio ABM, segundo as quais não haverá uma determinada especialidade médica para concorrer, podendo, portanto, os trabalhos versarem sobre qualquer uma delas. Foi ele então, nesse ano, conferido ao trabalho da Dra. Élia Tie Kotaka, sobre "A Educação em Saúde. Sua Importância Histórica e Atual na Melhora da Saúde da População".

4. Prêmio BYK

Em 1989 foram instituídos dois prêmios pelo Laboratório BYK, sendo um para acadêmicas de medicina e outro para médicas. Naquele ano, os prêmios foram conferidos às acadêmicas Luciane Bugmann Moreira, Elisa Chmitz, Luciane Carias de Oliveira, Susan M. Fukuda, Synthia A. Kurayama e Cláudia Z. Dias, pelo trabalho "Pesquisa de Deficiências Visuais em Escolares do Primeiro Ano, Relacionadas com o Rendimento Escolar", em Curitiba.

O Prêmio BYK para médicas foi conferido à Dra. Ana Tereza Ramos Moreira e colaboradores, pelo trabalho "Causas de Cegueira no Instituto dos Cegos", do Paraná.

A Mulher na Medicina através dos Tempos e a Fundação da MWIA

Desde há séculos sempre houve a presença da mulher na tentativa de recuperação da saúde, quer por meio de mezinhas como chás, poções, ervas, ou por práticas místicas, como rezas, benzeduras etc.

A partir do século XVII tem-se notícia de mulheres que conseguiram se "infiltrar" em cursos médicos, através de disfarces (com roupas masculinas, por exemplo) ou sendo admitidas somente como ouvintes, para depois atuarem como boas auxiliares dos médicos.

As primeiras que conseguiram completar um curso médico regular fizeram-no, por meio de subterfúgios, como no Canadá, onde uma moça, portando trajes de homem e usando a parte masculina do seu nome, conseguiu ingressar na Faculdade: chamava-se Myriam James Stuart Barry, apresentando-se como James Stuart Barry. Aliás, continuou com esse nome e modo de vestir, sendo considerada como uma "excêntrica". Concluiu o curso em 1812, sendo admitida no serviço médico do Governo e fazendo carreira brilhante, instituindo reformas sanitárias e higiênicas.

Outra pioneira na abertura dos cursos médicos para mulheres foi a doutora Elizabeth Blackwell, que, nascida na Inglaterra, onde não admitiam mulheres, mudou-se com seus pais para os Estados Unidos, onde batalhou duramente até ser admitida na Escola Médica de Genéve, Nova York, diplomando-se em 1849. Sua atividade foi notável e de caráter internacional, principalmente durante as várias guerras que se sucederam em diversas partes do mundo. Organizou hospitais, ambulatórios e dispensários, dando atenção especial a mulheres, crianças e velhos. Estava presente onde houvesse epidemias, como a de tifo, na França, seguindo depois para a Sérvia, Grécia, Turquia e Rússia, deixando sempre a marca de sua atividade e ensinamentos. Voltou para os Estados Unidos em 1917, convencida de que, se mais médicas houvesse, com a cooperação delas seria maior a probabilidade de estar garantida a ordem e a paz no mundo. Em 1923 organizou o Serviço Hospitalar de Mulheres Americanas, para prestar socorros no grande terremoto do Japão. Participou ainda da organização da ONU. Viveu além dos 90 anos. sempre lúcida, sendo, por suas idéias, considerada a grande predecessora da Associação Internacional de Médicas.

Assim, em 1919, surgiu a oportunidade da concretização dessa Associação, e isto devido a circunstâncias muitos especiais que reinaram na ocasião: nessa data, um grupo de médicas de vários países, de volta dos campos de batalha da Primeira Grande Guerra, estava sendo homenageado num jantar no célebre Hotel Waldorf-Astoria, em Nova York.

Estusiasmadas com o ambiente de paz e compreensão reinantes nesse encontro, concluíram que a união das médicas de todo o mundo poderia ser um caminho para a paz (com já o dissera a pioneira Dra. Elizabeth Blackwell). E ali mesmo surgiu a proposta da fundação da Associação Internacional de Médicas, inicialmente com somente ops três únicos países presentes que já possuíam Associação Nacional de Médicas: Inglaterra, Estados Unidos e Índia (!). Marcaram o segundo encontro para 1922, em Genebra, no qual estavam representados doze países, e assim, num crescendo constante, hoje, mais de sessenta países se unem na Associação Internacional de Médicas, a Medical Women's International Association, MWIA.

Preâmbulos da Fundação da Associação Brasileira de Médicas

Desde 1939 as médicas brasileiras se reuniam, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo. As atividades destes grupos resumiam-se em reuniões restritas e atividades profissionais junto a diversas entidades assistenciais nessas capitais.

Em fevereiro de 1941, a Dra. Alayr Hecksher representou as colegas brasileiras no Congresso de Médicas Latino-Americanas, por ocasião do IV Centenário da fundação da cidade Santiago, no Chile.

Em 1942, a Dra. Maria de Lourdes Pedroso também representou suas colegas brasileiras no Congresso de Médicas do Estado e Cidade de Nova York, EUA, quando as médicas norte-americanas pleiteavam a substituição dos colegas que eram encaminhados para as diferentes frentes de guerra. As médicas foram atendidas nas suas reivindicações pelo Governo norte-americano, tendo obtido pleno êxito em seus trabalhos o Congresso de Médicas Norte-Americanas.

Em 1947, um grupo de médicas no México fundou a Aliança Pan-Americana de Médicas, com a finalidade de congregar as colegas de todos os países do Continente Americano em Congressos bienais, alternando um país de língua catelhana e outro de língua inglesa. Nesses Congressos são promovidos intercâmbio de trabalhos científicos, distribuição de Bolsas de Estudos para aperfeiçoamento e, por último, realização de campanhas para cooperação na assistência médica dos Serviços de Bem-Estar Públicos, o que tem sido realizado através das delegadas de diversos países-membros. A esta entidade também filiaram-se médicas brasileiras.

Em 1951, houve uma reunião de confraternização das participantes do III Congresso da Aliança Pan-Americana de Médicas no Rio de Janeiro, no Copacabana Palace, como parte do programa desenvolvido em Montevidéu, Uruguai.

Em 1953, a Dra. Vera Leite Ribeiro participou do IV Congresso da Aliança Pan-Americana em Nova York e Washington, EUA.

Em 16 de novembro de 1960, depois da visita da colega Dra. Dolores Vilalobos Wenzel, do México, foi fundada a Associação Brasileira de Médicas, à Rua Senador Dantas, 4, ap.1211, Rio de Janeiro (Estado da Guanabara). A Diretoria foi composta de: Presidente - Dra. Hilda Maip (da Secretaria da Saúde Pública no Estado do Paraná); 1ª Vice-Presidente - Dra. Guiomar Gontijo (psiquiatria em Belo Horizonte, Minas Gerais); 2ª Vice-Presidente - Dra. Elisa Chermont Roffé (ginecologista); Secretária Geral, Dra. Yadjna Mendonça (pediatria); 1ª Secrtária - Dra Abigail Braga (sanitarista); 2ª Secretária - Dra. Teresinha Elvas Cordeiro (tisiologista do IAPB); 1ª Tesoureira - Dra. Hildegard Stoltz (ginecologista do Instituto de Ginecologia da Universidade do Brasil); e 2ª Tesoureira - Dra. Ilda Widmann Costa Santos (pediatria). Finalidades da ABM: congregar as médicas do Brasil. A sua 1⩝ Assembléia Geral realizou-se no dia 17 de setembro de 1961, em sua sede à Rua Senador Dantas, 84, apto.1211, Rio de Janeiro (Estado da Guanabara).

Breve Histórico da Carreira de Médica no Brasil

A primeira médica brasileira foi Maria Augusta Generoso Estrella.

Em 1875, com apenas quinze anos de idade, muito inteligente e estudiosa, manisfestou sua intenção de estudar Medicina (consta que teve o despertar desse interesse durante uma viagem de navio, em que houve um abalroamento com um cargueiro, daí resultando ferimentos em marinheiros, dos quais ela ajudou a tratar).

No Brasil, nessa época, ainda não era permitido o ingresso de mulheres nas Faculdades de Medicina, mas, insistindo com seu pai, Maria Augusta partiu para os Estados Unidos, para tentar cursar o Medical College for Women, tendo porém seu pedido negado por não ter a idade mínima exigida para ingresso, que era de dezoito anos. Mas, não se conformando, Maria Augusta propôs à Congregação da Escola que fizessem um debate, ao qual, além dos membros da Congregação, compareceram professores e alunos, diretores e famílias tradicionais do local, para ver e ouvir o que aquela mocinha tinha a dizer.

De uma tribuna especialmente preparada para ela, Maria Augusta perguntou aos membros da Congregação: "Que importa a idade se me acho apta aos exames de suficiência que os senhores exigem? Por que a recusa para que eu seja examinada?"

O exame foi marcado para o dia seguinte e, em inglês perfeito, Maria Augusta foi respondendo a todas as perguntas. Obteve a aprovação imediata e logo a seguir matriculou-se.

Houve repercusão do caso em todo o mundo e, no Brasil, por decisão de D. Pedro II, que ficou emocionado com o sucesso da brasileirinha, considerou-a "Bolsista do Império", por Decreto de 20 de outubro de 1877.

Quando terminou o curso, novo empecilho surgiu, pois a idade mínima para a graduação era de 21 anos. Teve de aguardar mais dois anos, os quais aproveitou para frequentar clínicas e hospitais. Ao colar grau, foi escolhida como oradora da turma e agraciada com medalha de ouro.

Retornou ao Brasil em 1882, tendo sido recebida em audiência especial pelo Imperador D. Pedro II e pela Imperatriz.

Maria Augusta clinicou por muitos anos na sua cidade natal, o Rio de Janeiro, tanto na Capital como no Interior, atendendo mulheres e crianças e dando atenção especial aos pobres. Sempre lutou pelos direitos da mulher, em consonância com seus antigos preceitos. Cabe, aliás, lembrar que, quando nos Estados Unidos, também editou um jornal que defendia as causas feministas. A Dra. maria Augusta Generoso Estrella faleceu em 1946, aos 86 anos, ainda lúcida, no Rio de Janeiro, onde nascera.

Foi principalmente devido a seu exemplo e aos esforços que as mulheres do Brasil passaram a ter acesso às Faculdades de Medicina, pela Reforma Leôncio de Carvalho, a partir de 1879.

Mas, a primeira médica formada no Brasil foi a Dra. Rita Lobato Velho Lopes, que ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1884. Antes dela, outras três moças tentaram fazer o curso médico em 1879, 1882 e 1883, mas o abandonaram antes de se formarem, devido a pressões da sociedade e dos próprios colegas.

Rita Lobato tinha dezessete anos quando ingressou na Faculdade. No segundo ano, porém, tranferiu-se para a Faculdade de Medicina da Bahia, que fora criada no mesmo ano que a do Rio de Janeiro, onde colou grau em 1887, com tese de doutoramento versando sobre "Paralelo entre os Métodos Preconizados na Cesariana", aliás, duramente criticada por muitos, pois, pela primeira vez, uma mulher tratava de forma quase pública um assunto mantido praticamente em sigilo.

Dedicou-se intensamente ao estudo da Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria, mas foi esta que escolheu para exercer como médica e à qual se dedicou toda a vida. Precisou, porém, lutar durante muito tempo para vencer a desconfiança, tanto dos colegas como dos pais de seus pacientes. Como o correr do tempo, conquistou a confiança de todos com o seu trabalho intenso e demonstrações sucessivas de que estava capacitada para a profissão.

Na evolução da carreira de médica no Brasil, também se verificou o aumento lento mas progressivo do ingresso do elemento feminino nas Faculdades de Medicina.

A partir de 1918, por exemplo, a Faculdade de Medicina de São Paulo teve uma ou duas moças por turma, até chegar à década de 40, aumentando progressivamente a partir daí, chegando a cerca de 50 por cento atualmente.

Em 1960, já havia Faculdades de Medicina em todo o Brasil e, após visita de representantes da Associação Internacional de Médicas, que vieram especialmente para esclarecer as suas finalidades às médicas daqui e de outros países da América do Sul, foi instalada no dia 16 de novembro de 1960 a Associação Brasileira de Médicas, no Rio de Janeiro.

Igualmente foi muito difícil o ingresso das mulheres na carreira docentenas Faculdades de Medicina.

A primeira professora titular de uma Faculdade de Medicina foi a Dra. Maria Falce Macedo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, professora titular de Química Orgânica e Biologia. A primeira livre-docente da Faculdade de Medicina da USP foi a Dra. Verônica Rapp de Eston, que prestou consurso em 1957, na Cadeira de Química Fisiológica.

Com a criação de novas Faculdades menos tradicionais, tornou-se mais fácil a conquista de uma cátedra, já existindo hoje várias titulares.